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7 erros do Pré-Milenismo

Introdução: 

A verdade só vive se a mentira morrer.

Isso é certamente uma realidade em muita coisa na vida prática. A mentira é mil vezes mais atraente do que a pura realidade, não importa quão bela esta seja. Enquanto prevalece o engano, portanto, é impossível que  o entendimento floresça.

O que se aplica em nossas vidas também é verdade em Teologia. E, dentro da Teologia, é mais verdade ainda em Escatologia.

Dificilmente os homens crerão no ensino da Palavra de Deus sobre Escatologia caso suas visões teológicas anteriores sobre o futuro da humanidade não sejam desfeitas, em menor ou maior grau. Afinal, ainda que vejam mérito em alguma outra perspectiva, é natural que escolham manter-se na zona de conforto da visão que já nutrem.

Esse texto é um daqueles textos cuja função não é construir uma defesa estruturada de nada. 

Quero oferecer para você, querido leitor, um antídoto contra um sistema interpretativo comum e perigoso nas igrejas brasileiras, cuja ampla aceitação é estranha, haja vista ser uma posição extremamente minoritária na história da Igreja. 

Como você leu no título, meu objetivo é um só: te ajudar a perceber que o Pré-Milenismo é uma mentira. Não quero aqui provar minha posição sobre o fim do mundo. Não quero atacar o Amilenismo. Não quero defender o Pós-Milenismo.

Meu foco é, única e exclusivamente, mostrar que, se a Bíblia é a Palavra de Deus, o Pré-Milenismo é uma mentira.

O leitor atento notará que minha atenção ficou um pouco mais voltada no Pré-Milenismo dispensacionalista em alguns momentos, e no Pré-Milenismo histórico em outros.

Na realidade, minha intenção inicial era escrever somente contra o Pré-Milenismo histórico. Todavia, como o Dispensacionalismo é muito aceito no meu Brasil, fui forçado a também levantar argumentos contra ele.

A fantasia Quiliasta dos Mil Anos é, acima de toda dúvida, a raiz de muitos erros perigosíssimos, como o próprio Dispensacionalismo. Considero que, caso essa doutrina caia, o Dispensacionalismo, com sua estranha doutrina de uma ressurreição 7 anos antes da Segunda Vinda, 2 povos de Deus, etc, certamente ruirá, como seus próprios autores afirmam.

Aqui vale notar que, apesar de presente na teologia de alguns Pais, a doutrina dos Mil Anos foi desaparecendo gradualmente da Igreja Cristã até o séc IV, sendo enfim enterrada por Agostinho.

Muitos pensam, porém, que foi Agostinho que a matou! Enganam-se! Na verdade, quando Agostinho negou de vez o Quiliasmo, este já era uma posição raríssima entre os antigos, e nosso grande Teólogo da Graça simplesmente colocou o último prego no caixão desse erro.

Infelizmente, com o surgimento do Anabatismo no século XVI, esse ensinamento estranho ressuscitou, voltando a ocupar mentes e corações na Cristandade, apesar da forte e piedosa oposição dos reformadores, oposição continuada pelos autores subsequentes das Igrejas Protestantes.

Oro para que esse texto ajude meus irmãos a decidirem novamente enterrar esse equívoco grave, e rogo a Deus que, como a Torre de Babel, o Pré-Milenismo, tendo causado grande confusão entre os povos, caia para nunca mais ser achado.

Espero, com fé, que meus irmãos, ao perceberem a impossibilidade do Pré-Milenismo, busquem alternativas razoáveis, como o Amilenismo ou o Pós-Milenismo, para a interpretação dos profetas e da Sagrada Escritura. 

Sem dúvidas, isso transformaria nossas reflexões teológicas, como Igreja no Brasil, em algo bem mais positivo…

Assim esperando, e tendo no meu Senhor a certeza de que virá o dia em que, pela pregação do Evangelho, todos os povos serão considerados filhos da Igreja (Salmo 87) e de que todas as famílias das nações serão servas do Senhor Jesus Cristo (Salmo 22:27), entrego a você esse artigo.

Estude-o sem moderação.

Todas as citações são da NAA.

O que é Pré-Milenismo?

A doutrina analisada prega que, em algum momento futuro, quando o Senhor Jesus Cristo vier em Sua Glória, com Seus santos anjos, Ele instituirá um Reino de duração Milenar cujo centro será em Jerusalém. Lá Ele estará fisicamente durante esses Mil Anos. Note: essa doutrina ensina que Cristo há de aparecer no Céu aproximadamente mil anos antes do fim do mundo.

Em Sua Vinda, Ele ressuscitará somente os Justos (aqui, os Quiliastas modernos afirmam que todos os Justos serão ressuscitados), e reinará mil anos a partir da cidade de Jerusalém, com domínio militar por todo o Globo. 

No fim desses mil anos, haverá uma rebelião contrária ao Reino, que cercará a cidade de Davi. 

Fogo descerá dos céus, os rebeldes morrerão. Nesse momento, haverá a Ressurreição e o Juízo dos Injustos, bem como a Ressurreição de Justos que tenham nascido e morrido nesses Mil Anos. Por fim, inicia-se o Estado Eterno.

Os erros

1) O Pré-Milenismo ensina que a Ressurreição dos Justos e a Ressurreição dos Ímpios serão separadas por Mil Anos, e que, portanto, a Ressurreição dos Bons será Mil Anos antes do Último Dia.

Todavia, as Sagradas Escrituras são unânimes no ensinamento de que Justos e Ímpios serão ressuscitados e julgados no mesmo dia.

Como primeiro argumento, usamos o texto do Evangelho de João:

“Não fiquem maravilhados com isso, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a voz dele e sairão:  os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo.”

João 5: ‬28-29

Nele, o Senhor Jesus Cristo coloca acima de toda e qualquer dúvida que os Justos e os Ímpios serão ressuscitados no mesmo dia, ouvindo o mesmo chamado do Filho de Deus, e logo em seguida, entrarão na posse ou da vida eterna ou do sofrimento eterno.

Portanto, separar essas duas ressurreições por mais de mil anos é contradizer aquilo que Jesus disse claramente.

Além disso, deve-se lembrar da profecia do Bem Aventurado Daniel

“Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, outros para vergonha e horror eterno. Os que forem sábios resplandecerão como o fulgor do firmamento, e os que conduzirem muitos à justiça brilharão como as estrelas, sempre e eternamente.”

Daniel 12:2-3

Onde o Profeta claramente ensina que Justos e Ímpios ressuscitarão juntos, e não com uma separação de Mil Anos, o que é a base do erro Quiliasta.

Como segundo argumento, usamos aquilo que o Senhor Jesus afirma não uma ou duas, mas três vezes no Evangelho de João:

“E a vontade de quem me enviou é esta: que eu não perca nenhum de todos os que ele me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia.  De fato, a vontade de meu Pai é que todo aquele que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna;  e eu o ressuscitarei no último dia.”

Joãl 6:39-40

“Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.”

João 6:44

Onde se mostra além de qualquer possível dúvida que, quando os Justos ressuscitarem, será no dia após o qual não haverá mais dias.

Não se mostra nada acerca de um dia após o qual milhares de dias ocorrerão, com direito até a uma rebelião final dos pecadores, e sim de um dia após o qual haverá novos Céus e nova Terra, a eternidade que nos é prometida.

Como terceiro argumento, usamos o ensino do Evangelho de Mateus Capítulo 25, versos 31-46:

“Quando o Filho do Homem vier na sua majestade  e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória.  Todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos:  porá as ovelhas à sua direita e os cabritos, à sua esquerda.

Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: “Venham, benditos de meu Pai! Venham herdar o Reino que está preparado para vocês desde a fundação do mundo.   Porque tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; eu era forasteiro, e vocês me hospedaram;  eu estava nu, e vocês me vestiram; enfermo, e me visitaram; preso, e foram me ver.” 

Então os justos perguntarão: “Quando foi que vimos o senhor com fome e lhe demos de comer? Ou com sede e lhe demos de beber?  E quando foi que vimos o senhor como forasteiro e o hospedamos? Ou nu e o vestimos?  E quando foi que vimos o senhor enfermo ou preso e fomos visitá-lo?”  

O Rei, respondendo, lhes dirá: “Em verdade lhes digo que, sempre que o fizeram a um destes meus pequeninos irmãos, foi a mim que o fizeram.” Então o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: “Afastem-se de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.  Porque tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e vocês não me deram de beber;  sendo forasteiro, vocês não me hospedaram; estando nu, vocês não me vestiram; achando-me enfermo e preso, vocês não foram me ver.”.

E eles lhe perguntarão: “Quando foi que vimos o senhor com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não o socorremos?” .

Então o Rei responderá: “Em verdade lhes digo que, sempre que o deixaram de fazer a um destes mais pequeninos, foi a mim que o deixaram de fazer.”  E estes irão para o castigo eterno,  porém os justos irão para a vida eterna

Mateus 25:31-46

Logo, no Dia da Vinda de Jesus, ocorrerá o Juízo Final, enviando justos para o céu e pecadores para o inferno, e a introdução de novos Céus e nova Terra.

Perceba que os justos são julgados no mesmo momento dos ímpios, de tal forma que o mesmo argumento do Senhor Jesus recebe respostas parecidas dos dois grupos: os justos negando que tenham feito ao Senhor tal caridade, e os ímpios negando que negaram ajuda ao Senhor.

Dessa forma, separar essas cenas de julgamento em mais de mil anos  é extremamente estranho… como a própria tentativa de resposta dos dispensacionalistas mostra.

Eu desconheço a resposta de pré-milenaristas históricos ao nosso argumento tirado desse texto. Sei que o Pré-Milenista George Ladd concedeu ser essa a passagem que mais pesadamente dificulta o Pré-Milenismo.

Já a resposta trazida por teólogos dispensacionalistas buscando salvar o sistema é que esse texto não fala do Juízo Final, e sim do Juízo das Nações Vivas no dia da Vinda do Senhor Jesus Cristo, após a Grande Tribulação(presume-se que a Grande Tribulação é um evento futuro, não sendo a função desse artigo debater o mérito dessa visão, que julgo equivocada).

A refutação a essa resposta desesperada é simples,e dessa tentativa de resposta notamos duas coisas:

1- Os próprios dispensacionalistas concedem que, seja qual for o Julgamento que está sendo narrado, ele ocorre no mesmo dia, e simultaneamente engloba justos e injustos. Portanto, qualquer tentativa de estranhamente separar em mais de Mil anos o julgamento dos justos e dos injustos nesse texto é refutada pela própria concessão de nossos adversários.

2- A futilidade desse argumento demonstra, acima de tudo, que o sistema teológico pré-milenista preza não pela Palavra de Deus, e sim pela manutenção da própria existência.

Vamos refutar juntos, então, essa tentativa de resposta. 

Antes de tudo, deve-se notar que estudar esse texto junto com pré-milenistas é uma experiência até engraçada.

O texto de Mateus 25 é lido, e, em seguida, discute-se um pouco do que é tratado. Os pré-milenistas começam a parecer incomodados, mas tudo segue normalmente.

Após conversarmos um pouco, concordamos que o texto fala da Segunda Vinda. Concordamos que, de acordo com esse texto, no dia da Segunda Vinda, a humanidade viva (pelo menos só isso é mencionado, não se fala em ressurreição) será julgada.

Os Justos entram, após esse julgamento, na vida eterna. Os Ímpios, na morte eterna.

Até aqui, encontramo-nos em plena e ordeira concordância.

Os Quiliastas na sala sentem-se relativamente aliviados. Afinal, ninguém fez aquela pergunta terrível. Uma oração final é feita, e o estudo acaba.

Do nada, algum dos presentes resolve fazer a pergunta terrível: “Gente, mas se esses Ímpios irão para a morte eterna, então quem fará parte da rebelião final de Apocalipse 20? Vocês ensinam que Jesus volta no início desse tal de Milênio!”

A partir daí, instala-se o caos argumentativo, e pode-se notar o quão difícil é debater com homens dogmáticos. Após ver as respostas confusas dadas por esses homens, é difícil se convencer. Qual será a resposta que eles nos dão?

Analisemos a resposta dada pelos Pré-Milenistas Dispensacionalistas a esse questionamento.

Dizem eles que os Justos dos quais o texto fala não são pessoas de fato justas, cristãs, e sim de pessoas e nações que abrigaram pregadores (JUDEUS, nunca se esqueça!) do Evangelho durante a Tribulação…(e ainda se dizem literalistas).  Por meio de quais sutilezas interpretativas eles chegam nessa conclusão, eu admito que não sei, e que não gosto de sequer pensar nisso.

Sendo assim, para eles, haverá não-cristãos entre esses Justos. 

Note, isso é absolutamente necessário para o Quiliasmo, pois, na Vinda Dele, todos os crentes serão transformados (1Tessalonicenses 4:16). 

Logo, em corpos incorruptíveis, não há sexo, nem reprodução, nem novas crianças. Portanto, é NECESSÁRIO para o sistema que alguns Ímpios em carne mortal SOBREVIVAM ao Juízo de Cristo! Assim, e somente assim, poderá haver sexo (entre os Ímpios sobreviventes), gerando a prole que se rebelará no fim do milênio. Disso trataremos um pouco mais tarde, porém.

Peço ao leitor que releia o texto de Mateus 25 e avalie se isso faz o mínimo de sentido lógico. 

Os problemas com essa tentativa desesperada de salvar o sistema são muitos:

Primeiro, a Palavra ensina acima de qualquer dúvida que o Dia da Vinda de Jesus é o dia da Perdição de todos os pecadores. Isso provamos pelos textos de 2Pedro capítulo 3, de 1Tessalonicenses capítulos 4 e 5, 2Tessalonicenses 1, cuja clareza é suficiente para o cristão.

Segundo, as palavras do Senhor Jesus só podem se aplicar aos eleitos de Deus. “Venham, Benditos de Meu Pai! Venham herdar o Reino que está preparado para vocês desde a fundação do mundo”(verso 34 do capítulo 25). Como o Nosso Salvador diria isso a um descrente? A um ímpio? A alguém cujo destino final, após o milênio, será o inferno? Não faz sentido algum que apliquemos essas palavras do Deus Encarnado a esses pobres pecadores!

Por fim, temos a linha que parece ter sido seguida por Milenaristas do Século XVII, como fica aparente em uma das obras de Baillie, Teólogo de Westminster, contra tais autores, em “Dissuasive Against the Errours of Our Time”.

Esses Independentes tentavam salvar o sistema dizendo que os Justos ressuscitados ainda usufruirão da Graça da sexualidade, o que é refutado de forma específica pelo Senhor Jesus em Mateus 22:23-33, e textos paralelos, pois na ressurreição não haverá casamento. Logo, os filhos nascidos durante tal milênio só podem ser filhos de descrentes. 

Mas após a Parousia os pecadores terão sido aniquilados. Logo, o Pré-Milenismo necessariamente é falso.

Trazemos ainda para a sua apreciação um terceiro argumento para provar a simultaneidade do Juízo de Justos e Injustos, que é Atos 17:30-31, lido em combinação com Romanos 2:5-11:

“Deus não levou em conta os tempos da ignorância, mas agora ele ordena a todas as pessoas, em todos os lugares, que se arrependam.

Porque Deus estabeleceu um dia em que julgará o mundo com justiça, por meio de um homem que escolheu. E deu certeza disso a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.” Atos 17:30,31

“Mas, por ser teimoso e ter um coração impenitente, você acumula contra si mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus,

que retribuirá a cada um segundo as suas obras:

a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade;

mas ira e indignação para os egoístas, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça.

Tribulação e angústia virão sobre todo aquele que faz o mal, ao judeu primeiro e também ao grego;

mas haverá glória, honra e paz a todo aquele que pratica o bem, ao judeu primeiro e também ao grego.

Porque Deus não trata as pessoas com parcialidade.” Romanos 2:5-11

Em ambos os textos o Apóstolo Paulo conecta temporalmente o Dia do Juízo de Deus com a punição dos ímpios.

Creio ser evidente que o foco do texto de Atos é na Ressurreição dos ímpios para a punição, pois ali o foco de Paulo é na necessidade de arrependimento.

Já no texto de Romanos, Paulo fala que o dia do Juízo trará ao mesmo tempo, benção e punição, de acordo com os atos de cada um durante a vida.

Perceba, também, leitor, que aqui Paulo fala de uma manifestação de Deus PARA JULGAR. Ora, se Deus há de se manifestar para retribuir ira aos ímpios, deve-se pensar que o Dia da Parousia é o dia da Ira de Deus contra os pecadores, e não o dia somente de ressuscitar os justos.

A partir disso também, refuta-se o Pré-Milenismo, que nega que ímpios e justos serão julgados juntos.

2)O Pré-Milenismo ensina que Cristo virá dos Céus Mil Anos antes do Dia do Juízo dos Vivos e Mortos.

Todavia, a Palavra ensina, e a Igreja universal confessa no Credo Apostólico que :

“[Jesus] subiu aos céus e assentou-se à Destra de Deus Pai Todo-Poderoso, de onde há de vir para julgar vivos e mortos

Credo Apostólico

Como primeiro argumento, mencionamos novamente o texto do Evangelho Mateus Capítulo 25 (que demonstramos tratar-se do Juízo Final), juntamente com o testemunho do Evangelho de João capítulos 5 e 6.

Isto é, Cristo virá para julgar o mundo (Mt. 25:31-46), e quando ele vier Justos e Injustos serão julgados, e irão para o destino eterno, e que esse será o último dia(João 6:44 e outros), pois, após tal acontecimento, haverá novos Céus e nova Terra (2Pedro 3).

Como segundo argumento, mencionamos o Salmo 110, que diz:

“Disse o Senhor ao meu senhor: ‘Sente-se à minha direita, até que eu ponha os seus inimigos por estrado dos seus pés.’”

Salmo 110:1

Ora, no Dia em que Cristo deixar a Destra do Pai para descer dos Céus, nesse dia, todos os seus inimigos já devem ter sido postos sob os seus pés. 

Caso o Pré-Milenismo fosse verdadeiro, Jesus deixaria a Destra do Pai somente no momento em que seus inimigos começam a ser colocados por estrado dos seus pés.

O Salmo ensina o oposto: os inimigos começam a ser submetidos a partir da Sessão de Cristo, por isso diz “até que”, indicando que tal processo deve ser completado em algum momento.

Mas, no Pré-Milenismo, Cristo não começa a reinar até o Dia em que deixa a Destra do Pai, o que é uma contradição clara da profecia, que nos ensina de um Reino que é realizado à mão direita de Deus. 

E, caso alguém queria discordar da noção de que já nesse momento Cristo espera a submissão e destruição dos seus inimigos:

“Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à direita de Deus,  aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés.”

Hebreus 10:12-13

Quando essa submissão acontecer, então ele virá, pois importa que ele reine até que todos os seus inimigos sejam colocados sob os seus pés (1Coríntios 15:25). A submissão dos inimigos de Cristo é um efeito da Sessão à Destra do Pai, e não da Parousia no último Dia.

3) O Pré-Milenismo ensina que os Justos ressuscitarão para uma herança corruptível, que é a Terra durante o suposto período Milenar.

Todavia, a Palavra ensina que os Justos serão ressuscitados para uma herança incorruptível.

O primeiro argumento que utilizamos baseia-se no bom senso e na razão. Reflita comigo:

1- Os cristãos que morreram na fé hoje estão na plenitude da glória, na presença do Deus Todo-Poderoso e do Senhor Jesus Cristo. 

2- Eles desfrutam das mais elevadas graças pelo Espírito Santo, longe de todo pecado e maldade. 

3- Se o Pré-Milenismo fosse verdadeiro, então esses santos seriam tirados do céu no Dia da Vinda do Senhor para então habitarem em uma terra em que a morte e o pecado ainda habitam, usufruindo de menor proximidade com Deus Pai, vivendo ao lado de homens não regenerados que, no final da história, ainda atacarão a cidade santa! 

Ora, então seria melhor para os santos que eles não houvessem descido dos Céus Mil Anos antes do Fim do Mundo, e que tivessem continuado a desfrutar da plenitude da comunhão com Deus.

Note, que em Apocalipse 20, o texto foca especificamente no fato dos mártires terem parte na primeira Ressurreição (ainda que os Quiliastas modernos afirmem que todos os redimidos, ou pelo menos os redimidos da nova aliança, ressuscitarão juntamente com eles).

Que recompensa é essa? Sair da presença plena de Deus? 

E mais, forçaremos homens em plena santidade, acostumados por milhares de anos a ouvir o cântico dos anjos, a conviver com pecadores? Pois nossos irmãos afirmam que o Milênio terá morte, pecado, corrupção e imperfeições.

O segundo argumento tiramos da passagem de Paulo aos Romanos:

“ Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.  A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não por sua própria vontade, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será libertada do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação a um só tempo geme e suporta angústias até agora. E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo. Porque na esperança fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança. Pois quem espera o que está vendo?  Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos.” 

Romanos 8:18-25 ‬‬

Onde o Apóstolo conecta do ponto vista temporal (isto é, ele estabelece uma relação de simultaneidade) a Redenção dos nossos corpos e a libertação da Criação do Cativeiro da Corrupção.

Mas a corrupção não deixa de existir até o dia do Juízo, pois até esse Dia ainda existe morte, pecado e maldade, e “o último inimigo a ser derrotado é a morte”(1Coríntios 15).

Portanto, nós só poderemos ressuscitar no Dia do Juízo, pois somente nesse Dia o Senhor libertará a criação do cativeiro da corrupção.

O terceiro argumento tiramos de 1Coríntios 15, passagem que posteriormente examinarmos com maior cuidado. Por agora, basta a citação de:

“Com isto quero dizer, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção.”

1Coríntios 15:50

Onde o Apóstolo coloca acima de toda e qualquer dúvida que a herança para a qual os santos ressuscitam é incorruptível e perfeita. Mas o Milênio desses irmãos é cheio de corrupção e pecado.

Logo, o Quiliasmo é falso.

Além disso, dessa Escritura ainda refutamos novamente a vã imaginação dos que pensam que alguém em carne corruptível pode herdar o mundo após a Vinda de Cristo, denominado por Paulo de “Reino de Deus”.

Objeção: “Mas aqui o Apóstolo fala do Reino do Pai, o qual sucede o Reino de Cristo

Concordamos plenamente, mas justamente por isso concluímos contra os Pré-Milenistas, que dizem que o Reino do Messias sucede a Ressurreição: pois, se os Justos ressuscitarão para um Reino corruptível, então o argumento de Paulo é sem sentido. 

Pois ele estabelece a absoluta necessidade da ressurreição da carne glorificada dos santos para que eles herdem a incorruptibilidade, o que seria absurdo caso eles fossem antes passar mil anos tendo como herança a Terra ainda em seu estado com presença de morte e decadência.

Todo o longo argumento de Paulo baseia-se fundamentalmente nessa herança incorruptível.

Ele está, ao longo dessa capítulo, querendo demonstrar que ninguém entrará na glória eterna sem a transformação do corpo na Ressurreição. E, para fechar esse argumento, ele afirma que a corrupção (nossa carne ainda infectada pelo pecado), não pode herdar a incorrupção (o mundo restaurado plenamente na Parousia de Cristo). 

Repito: se ressuscitaremos para um mundo corruptível, seria desnecessário que na ressurreição fôssemos incorruptíveis.

Mas o Apóstolo demonstra que isso é absolutamente necessário.

Logo, não ressuscitamos para um mundo corruptível.

Portanto, o Pré-Milenismo é falso.

O quarto argumento tiramos dos Tesouros dos santos no céu.

O  Senhor Jesus Cristo, no evangelho de Mateus  Capítulo 6:19-21,  Ensina: 

“Não acumulem tesouros sobre a terra, onde as traças e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntem tesouros no céu, onde as traças e a ferrugem não corroem e onde ladrões não escavam, nem roubam. Porque, onde estiver o seu tesouro, aí estará também o seu coração.”

Mateus 6: 19-21

Nesse texto, vemos o absurdo da doutrina pré-milenista, pois coloca a grande recompensa dos santos na terra antes da transformação final e da libertação do cativeiro da corrupção.

Na verdade,  eles estão dispostos a retirar os santos do céu para fazer com que retornem para o mundo corruptível. Portanto vemos mais um motivo para rejeitarmos o Pré-milenismo. 

4)O Pré-Milenismo ensina que, após a Segunda Vinda de Jesus Cristo, haverá ainda sexo, reprodução, e até mesmo pecado.

Minha mulher diz que o jeito mais fácil de descobrir se uma Teologia é inventada por um homem é se ela mantém que haverá sexo após a Segunda Vinda. Já quando foi uma mulher que inventou, a religião criada diz basicamente que Deus é amor e ternura e arco-íris.

Kim Riddlebarger, citação mais ou menos livre de uma das palestras dele sobre Amilenismo

Todavia, as Escrituras unanimemente negam essa noção absurda e contrária ao bom senso de que a sexualidade continua no mundo após a Parousia.

Nota: a maioria dos pré-milenistas– com destaque especial para os Dispensacionalistas– defende que, após a Segunda Vinda, e do Juízo das Nações vivas (interpretação curiosa de Mateus cap.25, que fala, na verdade, do Juízo Final, como já demonstrado), os Cristãos serão ressuscitados, e entrarão no milênio.

Mas não só os cristãos herdarão milênio (com corpos incorruptíveis), como também alguns descrentes, os quais herdarão esse milênio com carne corruptível.

Portanto, eles ainda terão relações sexuais com suas esposas e, dessa forma, nascerão novos bebês, o que, para os dispensacionalistas, é uma absoluta necessidade para sua interpretação “literal” das profecias gloriosas de Isaías(“a criança porá a mão no ninho da cobra…”).

Para a refutação dessa visão exótica, que já foi desfeita anteriormente temos:

O argumento, que já foi dado, consiste nisto: que o Justos ressuscitarão incorruptíveis, e, portanto, não terão relações sexuais. Os ímpios, por sua vez, serão lançados no inferno, logo não haverá quem tenha a capacidade de ter relações sexuais.

A visão de que os Justos terão relações sexuais em corpos glorificados também já foi refutada, e isso nas palavras do Senhor em Mateus 22:23-33.

5)O Pré-Milenismo ensina que Jesus só se assentará no trono de Davi, seu pai, após a Sua Segunda Vinda.

Todavia, a Palavra é unânime em afirmar que o Senhor Jesus, em sua Ascensão, recebeu por herança os reinos desse mundo. Ele se assentou no trono messiânico, que se localiza não em Jerusalém, em uma suposta era milenar, mas sim nos céus, à Destra de Deus Pai Todo-Poderoso, de onde ele reinará até que todos os seus inimigos sejam vencidos e colocados sob os Seus pés.

O primeiro argumento para demonstrar que Jesus está assentado no trono de Davi, é, antes de tudo, aquilo que a Palavra ensina claramente em Atos Capítulo 2, versos 29 a 32:

— Irmãos, permitam-me falar-lhes claramente a respeito do patriarca Davi: ele morreu e foi sepultado, e o seu túmulo permanece entre nós até hoje. Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes se assentaria no seu trono, prevendo isto, referiu-se à ressurreição de Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou corrupção. Deus ressuscitou este Jesus, e disto todos nós somos testemunhas. Exaltado, pois, à direita de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vocês estão vendo e ouvindo. Porque Davi não subiu aos céus, mas ele mesmo afirma: “Disse o Senhor ao meu Senhor: ‘Sente-se à minha direita,  até que eu ponha os seus inimigos por estrado dos seus pés.’”  — Portanto, toda a casa de Israel esteja absolutamente certa de que a este Jesus, que vocês crucificaram, Deus o fez Senhor e Cristo.

Atos 2:29–36

Note o leitor atento que o Pedro diz que, ao prever que um dos seus descendentes ocuparia seu trono, referiu-se à Ressurreição do Salvador.

Em seguida, diz que esse Salvador foi exaltado à Destra do Pai e, por fim, conclui citando o Salmo 110, afirmando que Deus havia constituído Jesus como Senhor e Ungido(Cristo). 

Ora, o Apóstolo teria feito um argumento absurdo caso tivesse dito: Deus fez Jesus Senhor e Cristo e exaltou ele a um trono a Sua Destra, como profetizado no Salmo 110, mas esse trono, ao qual ele foi exaltado, não é o Trono do Cristo(Messias).

Digo isso pois nenhum dos Pré-Milenistas nega que o Verdadeiro Trono Messiânico é o Trono de Davi.

Logo, Pedro estava dizendo o seguinte:

Vocês mataram Jesus, mas Deus cumpriu a promessa de ressuscitá-lo e de dar-lhe o Trono de Davi, e, por isso, Jesus subiu aos Céus, como ensinando no Salmo 110, para se assentar no Trono celestial, do qual o trono de Davi era uma fraca figura, pois ele nunca subiu aos céus. Mas o rei, pelo Espírito, profetizou o dia em que Seu Descendente teria tanto poder que reinaria à mão direita do Altíssimo, sendo esse o cumprimento da promessa de que o Trono de Davi subsistiria para sempre.

Pedro, parafraseado para maior clareza

Como segundo argumento, trazemos a promessa dada a Davi foi de que, quando ele houvesse morrido e descansado com seus pais, então um descendente(Salomão,figura de Cristo) assentar-se-ia em seu Trono (2Samuel 7:8-17).

E, depois dele, o Reino de Davi permaneceria para todo sempre.

Note que, se os Quiliastas têm razão, então o Descendente de Davi, Jesus, só se assentará no trono APÓS a Ressurreição de Davi, o que é o contrário da promessa, que diz que Davi estaria descansando com seus pais quando seu descendente viesse a reinar.

Esse argumento, tirado do excelente documentário “On Earth as it is in Heaven”, que discute escatologia cristã, é certamente digno de nota.

O terceiro argumento eu tiro do argumento que Jesus usou contra os fariseus, também baseado no Salmo 110

“Estando reunidos os fariseus, Jesus lhes perguntou:

— O que vocês pensam do Cristo? De quem é filho?

Eles responderam:

— De Davi.

E Jesus perguntou:

— Então, como é que Davi, pelo Espírito, chama o Cristo de Senhor, dizendo:   “Disse o Senhor ao meu Senhor:  ‘Sente-se à minha direita,  até que eu ponha os seus inimigos  debaixo dos seus pés’”?   

— Portanto, se Davi o chama de Senhor, como ele pode ser filho de Davi?”

Mateus 22:41–45 

Perceba que o argumento do nosso Salvador contra seus adversários é: Davi chamou o Messias de Senhor. Como isso pôde ser possível (pois o pai tem autoridade sobre o filho, não o contrário)? Com isso, o Senhor ensinou sutilmente acerca de Sua Divindade (somente se o Messias fosse Deus-Homem Davi o chamaria de Senhor).

Ora, para argumentar dessa forma, o Senhor presumiu que o Salmo 110 fala do Messias. Mas, a menos que o trono à Destra de Deus seja o trono do Messias, então o argumento dele não faria sentido

Perceba que, quando digo DO MESSIAS, não digo no sentido que o Messias assentou-se nele por um tempo, e sim que aquele trono é, de forma peculiar, autoritativa, profética e sagrada, o Trono DO MESSIAS, que os nossos adversários não negam que só pode ser o Trono de Davi.

Caso o trono do Salmo 110 não seja o trono de Messias, o argumento de Jesus não faz sentido, pois como os fariseus saberiam que o “Senhor” do salmo era o Cristo bendito?

Inclusive, o argumento dos dispensacionalistas seria-lhes muito útil:

“Veja, Jesus, o trono de Davi, no qual o descendente se assentará, é em Jerusalém, e não nós Céus, logo Davi aqui não está chamando o seu descendente de Senhor, como você imaginou em sua interpretação não-literal da Palavra. Certamente, aqui o rei falava de outra coisa, talvez de um anjo poderoso, cujo domínio é celestial, e não do trono do Messias”.

Resposta de algum fariseu, caso tivesse conhecido John Nelson Darby

Coitados desses intérpretes, que refutam até mesmo a interpretação do nosso amado Senhor para adotarem suas fantasias estranhas sobre o futuro.

Pelo contrário, como ambos os lados concediam que o Salmo falava do trono Messiânico, logo Jesus usou isso como armadilha para refutação da vaidade farisaica de negar a Divindade do Cristo. Logo, o trono Messiânico está à Destra do Pai.

Que Deus nos livre de abandonar a sagrada interpretação de Nosso Amado Senhor Jesus para seguir a de Darby e de seus separatistas!

O quarto argumento eu tiro do livro de Hebreus, capítulo 1, verso 8:

Mas, a respeito do Filho, diz: “O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; cetro de justiça é o cetro do teu reino.  Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo de alegria como a nenhum dos teus companheiros.”

Hebreus 1:8‭-‬9

Note que, para falar do atual estado de exaltação do Filho, o autor cita o Salmo 45, cujo referente imediato é um rei de Israel (assentado no trono de Davi), que prefigurava o Senhor Jesus Cristo como Messias no Trono de Davi.

Assim, é razoável dizer que o trono ao qual o Salmista refere-se é o Trono Messiânico. Até aqui, nossos irmãos pré-milenistas concordam conosco, eu imagino.

Mas o autor de Hebreus aplica isso à presente Majestade de Cristo, logo nosso Salvador está assentado no Trono de Davi.

Em outras palavras, dizer que o Filho foi ungido(e a palavra Ungido refere-se ao Messias em sua condição de Messias,rei de Israel e do Mundo) para reinar e, em seguida falar que ele se sentou à Destra de Deus é dizer que a Destra do Pai é o Trono do Messias.

Estranha de fato é a tese de nossos adversários, que nos falam de um Cristo (que quer dizer Ungido) que não está exercendo sua Unção de Rei!

O quinto argumento tiramos da impossibilidade de haver trono mais elevado que o de Cristo no atual momento. 

Ora, se o trono de Cristo é o mais elevado que pode haver, logo o trono do Milênio é menos elevado do que Estado atual do Senhor (ou é no máximo igual) donde se demonstra o erro do Pré-Milenismo, que seria fazer com que a glória de Cristo no futuro fosse menor que a Glória Atual.

A primeira parte prova-se em Efésios:

“Ele exerceu esse poder em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nas regiões celestiais, acima de todo principado, potestade, poder, domínio e de todo nome que se possa mencionar, não só no presente século, mas também no vindouro. E sujeitou todas as coisas debaixo dos pés de Cristo e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.

Efésios 1:20‭-‬21

Nesse sentido, se o trono de Cristo no Milênio for elevado tão somente quanto o trono atual, então o Milênio é inútil. 

Caso eles nos digam que o Milênio tem a utilidade de cumprir as promessas de Deus, então digo que o Trono de Cristo no Milênio seria mais elevado do que o Trono atual, em que tais promessas não são cumpridas, mas isso Paulo refuta no texto citado, logo essa saída é impossível para eles!

Se o Trono de Cristo no Milênio for menos elevado que o atual (o que provamos ser o caso pois o Senhor, atualmente, não sofre a resistência pessoal e física dos pecadores, como será no fim do Milênio), então tal Trono é absurdo e desonra nosso Senhor.

Sobre o estado de Exaltação atual do Senhor Jesus Cristo, recomendo aos que porventura saibam inglês, a leitura do excelente paper do interessante Dr Gregg Strawbridge, em que se prova o Pós-Milenismo a partir de argumentos relacionados ao trono atual de Cristo.

Um sexto argumento aprendemos da Bendita União entre o Ofício Sacerdotal e Real de Cristo

Primeiro mostraremos algumas provas bíblicas dessa união,e depois demonstraremos como o Quiliasmo a desfaz.

  • A primeira é a Analogia de Melquisedeque

Lemos em Gênesis que:

“E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho. Ele era sacerdote do Deus Altíssimo.”

Gênesis 14:18 

Vemos portanto que Melquisedeque exercia seu sacerdócio em união com seu Reinado, e assim também deve ser com o Senhor Jesus Cristo, que é o Melquisedeque melhor e verdadeiro, a substância e não a sombra.

Isso prova-se também a partir do Salmo 110, no qual o Messias Rei é também Sumo-Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, e isso ao mesmo tempo.

  • A segunda é a argumentação de Hebreus:

O Livro de Hebreus ensina-nos de um Cristo que é Rei e Sumo-Sacerdote (Hebreus 1:8-9, Hebreus 2:5-9) simultaneamente.

  • A terceira é o ensino claro de Zacarias:

“— Receba o que foi trazido pelos exilados Heldai, Tobias e Jedaías, que voltaram da Babilônia, e no mesmo dia entre na casa de Josias, filho de Sofonias. Receba a prata e o ouro, faça uma coroa e coloque-a na cabeça do sumo sacerdote Josué, filho de Jozadaque. E diga-lhe: Assim diz o Senhor dos Exércitos: “Eis aqui o homem cujo nome é Renovo. Ele brotará do seu lugar e edificará o templo do Senhor . Ele mesmo edificará o templo do Senhor e será revestido de glória. Ele se assentará no seu trono, e dominará, e será sacerdote no seu trono; e reinará perfeita união entre ambos os ofícios.”

Zacarias 6:10‭-‬13 

Todavia nosso irmãos concedem que Jesus está em Seu Ofício de Sumo Sacerdote, logo devem conceder que ele está em Seu Ofício de Rei.

Também devem interpretar o resto da profecia com base nisso, pois Cristo edifica a Igreja de Deus (o Templo da Nova Aliança–sobre o qual lemos em Isaías 54 –citado por Paulo em Gálatas– e em Ezequiel).

  • A quarta é a união de ambos os ofícios, por nós compartilhados na vida Cristã, como se lê em Apocalipse cap 1 e em Apocalipse cap 20:

“Àquele que nos ama e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados, e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio para todo o sempre. Amém!”

Apocalipse 1:5‭-‬6 

Donde se prova que nosso Reino e Sacerdócio é exercido em simultaneidade.

Nossos irmãos certamente dirão que a tese deles não é abalada por tal união de ofícios, pois os santos são qualificados, em Apocalipse 20, a suposta fortaleza inabalável dos Milenaristas, como reis e sacerdotes com Cristo (Apocalipse 20:6), e isso por estarem unidos a Ele. 

Logo, eles concluem, vitoriosamente, que tal união de ofícios estará presente na pessoa de Cristo até no Milênio. Desfaremos essa tese em dois pontos.

A união do Sacerdócio e do Reinado desfazem o Quiliasmo de duas formas:

Primeira:

O Livro de Hebreus ensina que o Santuário onde Cristo exerce seu Sacerdócio é nos Altos Céus, onde ele está assentado à Destra de Deus(1:13,9:24), que o Santuário que Moisés montou era modelado nesse Santuário(8:5), o qual é a realização das sombras. 

Note que a Intercessão de Cristo como Sumo-Sacerdote está ligada a Seu Assento à Destra de Deus(Romanos 8:34). 

Logo, quando Cristo sair dos Céus, é porque chegou a hora em que ele não mais precisará orar pelos pecadores eleitos, o que não ocorre senão no Dia do Juízo–quando acabará o tempo da conversão, do arrependimento e da fé– quando Deus será tudo em todos. 

Mas os Milenaristas sonham com uma era em que crentes ainda pecadores(filhos dos supostos sobreviventes da tribulação) viverão sobre a terra sem a Intercessão de Cristo junto ao Pai nos Céus, onde está o verdadeiro Santuário onde o Senhor é Sacerdote eterno. 

E, se dispensacionalistas, ousam sonhar com algo mais absurdo: a restauração da ordem Sacerdotal Levítica, e a reconstrução de um Santuário terreno! 

Ai de nós se seguirmos esses estranhos intérpretes! É como se o Senhor Jesus, por sua gloriosa aparição na Plenitude dos Tempos, nascido sob a Lei, NÃO tivesse a intenção de desfazer, de uma vez por todas, as sombras da Aliança Antiga, mantendo somente a substância, alterando os ritos cruentos por sacramentos sem derramamento de sangue, e proclamando liberdade das Cerimônias da Lei!

No sistema Quiliasta, que erra consistentemente em quase tudo que propõe, a Segunda Vinda, em vez de trazer à Plenitude os efeitos da Primeira, serve para torná-la sem efeito.

Segunda:

O fato de que no tempo presente os cristãos já são sacerdotes e reis deveria fornecer a nosso irmãos uma chave interpretativa para Apocalipse 20.

Ora, será que isso não fortalece a tese de que o intervalo entre a Primeira Ressurreição e a Segunda é o período entre os dois Adventos? Pois já somos aquilo que João diz que os crentes são durante os mil anos…

E mais, se eles serão Reis de um Reino que é militar, carnal, visível em sua substância, será essa também a natureza do Seu Sacerdócio? Eles serão levitas? E se o Sacerdócio será espiritual, por que o Reino será militar e físico?

6)O Pré-Milenismo ensina que Jesus possui um reino carnal, cujo poder deriva dos exércitos.

Todavia, o cristão deve crer, pela Palavra de Deus e pelo Espírito, que o Reino de Seu Salvador não se expande pela violência mas sim pelo amor, e não ganha adeptos pela espada, e sim pela Palavra.

A espada que sai da boca de Cristo, no Apocalipse, capítulo 19, para marchar e conquistar o mundo, não é uma espada literal, mas sim a Palavra de Deus, a cujo poder o mundo inteiro será, um dia, submetido.

O primeiro argumento que utilizo pode parecer estranho, mas é sobremaneira útil, haja vista que nunca foi negado por nenhum autor ortodoxo em toda a Cristandade. Ele funciona mais ou menos assim:

Um reino possui embaixadores, ministros, e, da natureza dos embaixadores, descobre-se algo sobre a natureza do Reino.

Ora, Nosso Senhor Jesus, ao estabelecer seu Reino, que a maioria dos Pré-Milenistas hoje já concedem que está presente na Igreja, constituiu autoridades, isto é, os pastores da Igreja, que são ministros de Cristo, embaixadores que falam em Seu Nome (2Corintios 5:19), anjos(mensageiros, Apocalipse cap 2).

Mas as armas que os pastores possuem para expandir o Reino de Cristo são espirituais– Palavra, Batismo, Ceia, Disciplina Eclesiástica–, logo o Reino só pode ser espiritual em sua natureza. 

Não negamos que esse reino se manifesta fisicamente na história, todavia é absurdo pensar que o Senhor expandirá seu Poder pelas armas. 

Pelo contrário, mil vezes mais glorioso é que os povos sejam CONVERTIDOS, e não espancados. E não é isso que a Palavra ensina? Não diz o Salmo 22 que os fins da Terra se converterão ao Senhor? Não diz Sofonias que os povos da Terra, cada um do seu lugar, esqueceriam os ídolos e adorariam Yahweh? Não diz Isaías que Jesus é o Príncipe da Paz?  

Não pensem nossos oponentes que cremos num Cristo cujo reino é sem efeito, meramente invisível, existindo somente na quinta dimensão da Terra do Nunca, pelo contrário!

Nosso Rei tem poder, e seu Cetro é o Evangelho! Os reis desse mundo impõem seu domínio à força, mas nosso Cristo dominará sobre todo o Globo pela Palavra!

Note, a obediência dos povos deve ser voluntária! A paz entre eles, que Isaías profetiza no capítulo 2 de seu livro, viria não de uma carnificina mundial na Segunda Vinda, que descamba em um milênio militar, e sim da Palavra do Senhor saindo de Sião. Sim, de Sião.

Não é isso que ocorreu em Pentecostes? Não é isso que ocorre quando a Sião espiritual (Hebreus 12:22), a Igreja, a Nova Jerusalém (Gálatas 4:26), prega a Palavra? Por que então esperar um reino cuja glória é carnal, cujo poder é temporal, cuja extensão é curta(mil anos? Impérios humanos já duraram mais!)? Não está escrito que a Terra se encherá do Conhecimento do Senhor como as águas cobrem o Mar (Isaías 11)? 

Sou forçado a perguntar: por que esperar um reino futuro, no qual Cristo terá autoridade, se TODA autoridade lhe foi dada, nos céus e na Terra(Mateus 28)?

E, àqueles cujo ímpeto de resistir às verdades bíblicas em nome de sistemas teológicos, pergunto: se Cristo não está agora exercendo essa autoridade, então porque ele diz “PORTANTO,ide”?

Ora, “portanto” expressa conclusão, efeito, de algo que veio antes. Não basta que a Igreja, por meio dos ministros, vá, ela deve PORTANTO ir, isto é, ela deve ir em nome de Cristo e crendo que ele exerce esse poder para garantir que a missão seja cumprida.

Dizer que Cristo só exercerá essa autoridade no futuro milênio é, sem dúvidas, um devaneio sem sentido.

O segundo argumento tiramos do Evangelho de Mateus capítulo 13 e da Oração do Senhor.

“Jesus lhes propôs outra parábola, dizendo: 

— O Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem pegou e plantou no seu campo.  Esse grão é, na verdade, a menor de todas as sementes, mas, quando cresce, é maior do que as hortaliças, e chega a ser uma árvore, de modo que as aves do céu vêm se aninhar nos seus ramos. 

Jesus lhes contou ainda outra parábola: 

— O Reino dos Céus é semelhante ao fermento que uma mulher pegou e misturou em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado.”

Mateus 13:31-33

Ora, o Quiliasmo fala muito de um reino que aparece de forma súbita, sim, de um reino que se manifesta na Vinda de Cristo, e imediatamente possui todo o mundo. 

Todavia o Senhor nos mostra um caminho muito diferente,sim, um caminho de uma Reino que cresce lentamente, como um grão de mostarda.

E seu início não é pelo uso da força, e sim pela pregação do Evangelho, que começa com uma igreja de 5 pessoas, depois cresce para 20, e depois para 100, 200, até que tudo esteja levedado. Por isso mesmo o Senhor ordenou que pedíssemos “Venha o teu Reino, seja feita Tua vontade, assim na Terra como nos céus”. 

Pois o Reino cresce aos poucos, e, na medida que cresce, faz cada vez mais que a Nova humanidade formada em Cristo obedeça a Deus Todo-Poderoso.

O terceiro argumento estabelecemos a partir da unidade de substância do reino de Cristo 

A palavra de Deus em momento algum informa o leitor acerca de uma mudança no Reino do Senhor Jesus, como se ele antes sendo espiritual, posteriormente se tornasse militar.

Pelo contrário, “o governo está sobre os seus ombros… E ao aumento do seu governo a paz não terá fim”(Isaías 9), e “Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai. Ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e seu Reinado não terá fim.” (Lucas 1:33). 

Em momento algum lemos sobre uma mudança de substância após o começo do Reino de Cristo, que bem sabemos ter se iniciado na Ascensão (Daniel 7:13-14– em que o Filho do Homem está subindo nas nuvens até o Ancião de Dias–, Mateus 28:18-20, Salmo 2– nos quais o Rei ressurreto recebe as nações por herança). 

O quarto argumento nós fazemos a partir da razão e do bom senso.

Será que nossos irmãos realmente vêem sentido na doutrina ensinada? Qual seria a lógica de um Cristo, cuja manifestação foi para pregar o Evangelho do Reino, possuir um Reino cuja expansão não é pelo Evangelho?

Ainda que os Dispensacionalistas e Pré-Milenistas modernos já se vejam forçados a conceder que em certa medida o Reino é presente, eles ainda contendem que deve haver um Reino do Messias que é exclusivamente futuro.

Mas isso faria simplesmente com que a era da Igreja universal, pela qual os profetas tanto esperavam, em que os gentios seriam convertidos, em que nações pagãs voltariam ao culto verdadeiro e espiritual, fosse simplesmente um intervalo sem grande importância, que, na verdade, só existiu porque os judeus teimosanente rejeitaram Cristo (que é a tese do Dispensacionalismo tradicional).

Mas será que o Milênio é mesmo superior à era da Igreja? O retorno ao culto no templo, a volta da ordem Levítica, até dos sacrifícios(o que suplanta o mero erro e se torna, na verdade, heresia contra a religião cristã!), o retorno de ordenanças da Lei Mosaica… Não seria isso um retrocesso? O Reino de Cristo não sofreria um regresso, e não um crescimento? 

De fato, poucas doutrinas são capazes de desmotivar a Igreja tão poderosamente quanto o Pré-Milenismo, principalmente naquelas manifestações que negam que a Igreja universal da Nova Aliança sempre foi o plano de Deus. 

Nada mais absurdo do que pensar que somos o “Plano B” de Deus, pois está escrito, prenunciando que os gentios seriam justificados pela fé, que Abraão seria pai de muitas nações, e que, na semente dele(Cristo), todas as nações da terra seriam benditas.

Esse era o plano de Deus, desde o início. E deu certo. Está dando certo. Dará certo.

7)O Pré-Milenismo ensina que, após a Vinda do Filho, começará o Reino dele.

Todavia, a Bíblia ensina que a Vinda de Jesus marca o fim de Seu Reino como Mediador, e o princípio da Eternidade, que é o Reino do Pai.

Como primeiro argumento, menciono o texto clássico de 1Corintios 15:20-58. Recomendo ao leitor que analise o trecho com absoluta atenção.

Perceba que o Apóstolo Paulo têm, em sua mente, dois Reinos. Um é o Reino do Filho, o qual convive com oposição e inimigos. Outro é o Reino do Pai, no qual Deus é tudo em todos, e não há mais oposição ao Bem. 

O fim do Reino do Filho ocorre quando a Morte é derrotada(“o último inimigo a ser derrotado é a morte”). Nesse momento, ele entrega o Reino ao Pai, e então, entra-se no estado eterno. Até aqui, todos concordamos.

O Pré-Milenista contenderá que o Reino do Filho ainda é algo futuro, e que ele se  inicia na Segunda Vinda, na qual os Cristãos são ressuscitados(segundo eles, essa é a primeira Ressurreição de Apocalipse 20, ainda que, no resto da Escritura, a primeira Ressurreição seja espiritual, e corresponda às conversão/regeneração). 

Para o Amilenista e para o Pós-Milenista, o Reino de Cristo, do ponto de vista da Economia da Trindade, termina na Segunda Vinda, quando os Justos são ressuscitados, a morte é derrotada, e inicia-se a eternidade.

Perceba que a discordância entre eles é simples de resolver: basta que encontremos o momento em que a morte é derrotada.

A resposta não exige muito esforço, caso estejamos com um coração aberto para ouvir a verdade que o texto expõe para nós. Vejamos:

“Eis que vou lhes revelar um mistério: nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados  num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade e o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: ‘Tragada foi a morte pela vitória.’  ‘Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?’.

1Coríntios 15:51-55‬‬‬

Portanto, na ocasião da Ressurreição dos Santos, a morte terá sido tragada pela vitória, não mais existirá.

Ora, se o povo de Deus era o vencedor, então alguém deve ser derrotado.

E o texto quase grita: o derrotado é a morte

Ora, mas o último inimigo a ser derrotado é a morte(vide verso 26). Logo, na Vinda de Nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, temos por fato que a morte será derrotada, então o Reino dEle como Mediador terá chegado aí seu “fim”, e entraremos naquilo que se chama de “Reino do Pai”, o Estado eterno, quando Deus será tudo em todos (verso 28).

Além do argumento da coerência interna do texto, que não pode encaixar-se com o Quiliasmo senão por barbaridades exegéticas, deve-se notar que João e Paulo concordam sobre o momento da derrota da morte.

João diz, em Apocalipse 20:

“Vi um grande trono branco e aquele que está sentado nele. A terra e o céu fugiram da presença dele, e não se achou lugar para eles. Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, que estavam em pé diante do trono. Então foram abertos livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que estava escrito nos livros.  O mar entregou os mortos que nele estavam. A morte e o inferno entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras.  Então a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo.”

Apocalipse 20:11-14 ‬‬‬

Ora, João coloca a derrota da morte Mil Anos após a Primeira Ressurreição.

Paulo sincroniza a derrota da morte com a Segunda Vinda e Ressurreição dos Santos. Portanto, segue que a Ressurreição dos Santos é no dia do Juízo do Grande Trono Branco. Logo o Pré-Milenismo é falso, pois adianta em mil anos essa Ressurreição. 

Como segundo argumento, invocamos o ensinamento inequívoco de nosso Senhor no Evangelho de Mateus:

“E Jesus respondeu:

— O que semeia a boa semente é o Filho do Homem.  O campo é o mundo. A boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do Maligno.  O inimigo que o semeou é o diabo. A colheita é o fim dos tempos, e os ceifeiros são os anjos.  Pois, assim como o joio é colhido e jogado no fogo, assim será no fim dos tempos.  O Filho do Homem mandará os seus anjos, que ajuntarão do seu Reino todos os que servem de pedra de tropeço e os que praticam o mal  e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes.  Então os justos resplandecerão como o sol,  no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.”

Mateus 13:37-43‬‬‬

Creio ser desnecessário fazer grandes explicações do texto, que dá clareza por si só ao cristão.

No Dia da Vinda de Cristo, o Reino do Filho já está presente, e, nesse Dia glorioso, os Ímpios são lançados imediatamente no fogo.

Em seguida, vem o Reino do Pai, em que os Justos brilharão como o Sol (citação de Daniel 12:3, que não só fala de uma Ressurreição na Vinda de Cristo, mas também menciona que a Ressurreição é de Justos e de Ímpios). 

Com isso, nosso Mestre impossibilita toda e qualquer forma de Pré-Milenismo.

Esse texto é especialmente útil quando é lido em paralelo com o de Paulo em 1Corintios capítulo 15, pois ambos usam a mesma distinção entre Reino do Filho e Reino do Pai. 

Não só o argumento do apóstolo depende, por coerência interna, de uma sistema sem um milênio após a Vinda do Senhor, como também Jesus ensina-nos claramente que, após Sua Vinda, só haverá o Reino do Pai.

Ele nos ajuda também a entender o argumento de Paulo, e guia-nos para longe do erro caso tenhamos perdido as referências internas no texto Paulino que tornam o Quiliasmo impossível.

Dessa forma, podemos ver que, com base nas evidências apresentadas, a conclusão é forçosa e não pode ser negada.

Conclusão:

Antes de concluir totalmente esse texto, quero fazer um aviso.

Ainda que o Conselho local de presbíteros da Igreja Reformada Ortodoxa seja “anti pré-milenista”, como todo Conselho de Igrejas Reformadas deve ser, nossa igreja não é decididamente Pós-Milenista.

Com isso, não quero dizer que a maioria do Conselho é Amilenista. Não é.

Quero dizer somente que considera-se a opção entre Pós-Milenismo e Amilenismo algo secundário. Ninguém vai brigar aqui por causa disso.

Dito isso, esclareço que nas partes em que eu não consegui me controlar e revelei minha fé na vitória universal do Evangelho, não estava falando em nome da opinião de nossa igreja.

Além disso, antes de encerrar, peço que você, caso considere que esse artigo trouxe bons argumentos. compartilhe o este link com seus amigos e familiares!

Agora, portanto, vamos para a conclusão:

A Doutrina do Pré-Milenismo é falsa e deve ser rejeitada.

Ainda que grandes homens de Deus, no último século, tenham se deixado levar por ela, devemos rejeitá-la, pois é nosso dever manter-nos cativos à Palavra de Deus. 

Talvez o leitor note que não citei nenhum autor humano, senão os autores da Sagrada Escritura.

Com isso, posso ter a certeza de que a fé dos leitores desse artigo estará firmada não nas intenções e invenções humanas, mas na infalível e santíssima Palavra do Senhor.

Agora, cabe a você, querido leitor, buscar uma alternativa à interpretação Pré-milenista da Sagrada Escritura.

Que o Bom Senhor te guie nessa busca.

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